segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Paulo Castilho

Paulo Castilho não é um escritor regular. Passam-se anos sem que apareça um romance seu. Contudo, nunca desilude. Esse é o caso de "Domínio Público", recentemente editado.

Trata-se de uma trama lisboeta, muito bem escrita, com uma linguagem que revela uma cuidada atenção ao discurso quotidiano contemporâneo. Tal como em anteriores obras, Castilho mostra que, em especial, lê muito bem o pensamento das personagens femininas, sem, no entanto, se deixar subordinar à tentação fácil da mera transcrição da oralidade "modernaça", como acontece em certas escritas de uma sub-literatura urbana que por aí anda, à procura desesperada de um novo realismo pintado de tons chocantes.  

Paulo Castilho é diplomata. Há hoje muito poucos diplomatas que se dedicam à escrita de ficção. Além dele, apenas Marcello Mathias e Luis Filipe Castro Mendes publicam obras com alguma regularidade. Mas todos, sem exceção, com elevada qualidade, como a crítica sempre reconhece. O que é, "corporativamente", uma constatação muito agradável. 

8 comentários:

Tá na laethanta saoire thart-Cruáil an tsaoil disse...

Paris já está a arder?

Domínio Público é Incendiário disse...

O que é público ningúêm respecta

e todos deitam fogo

Anónimo disse...

Claro que vou comprar e ler.
Obrigado pela sugestão.
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Almas sem ossos

Para lá do horizonte dos sonhos
onde ninguém quer de mágoas saber
está o descontrair de sobrolhos
em cemitérios à morte e luz e viver

E é verão e primavera,tudo sorrir inverno gela quem se deixa partir
Alma sem ossos, mesmo estado civil afetos sem poços ou perigo de cair

Vou lá agora morrer como aliás vivo
Contigo outono livre folhas embalar
sem emboscadas medos nem te cismo

Dou a alma sem ossos para pernoitar
deixa-os pensar não digas ninguém Que na alma só reside quem nos tem

Isabel Seixas

patricio branco disse...

folheei na livraria, comprei e comecei a ler o romance de paulo castilho que deixei de ler a pp 25 + ou - Bastou, não gostei, voltei à livraria e aceitaram trocá lo por outro livro.
Pareceu-me um livro de lugares comuns, escrita facil, dialogos burgueses, lisboa, cafés, avenidas, alentejo, viagens, um pouco de politica, de sexo, imagens duma geração.
Não é que não aconselhe, o defeito será meu, que não me esforcei por ir até ao fim. Possivelmente é boa leitura de verão e férias e a opinião do blogue será a de seguir.
Dada a sua rica e variada experiencia de vida pessoal e profissional, os diplomatas deveriam ser estimulados a escrever, memórias, diários, blogues (como este), estudos ou monografias sobre paises que conhecem, temas de história diplomatica, artigos, etc
Ps. há tambem pinto da frança e os seus diários diplomaticos. Marcello mathias é um escritor original e divertido, l f catro mendes um bom poeta.

Maria Climénia Rodrigues disse...

conheci o "paulo Castilho" ainda adido de imprensa, nos tempos do Gaspar da Silva, sticcinni Villela e outros mais....eramos todos jovens, uns, já com perfil de grandes seres humanos, interessantes pelo menos, alguns ficaram pelo caminho, outros deixam marca....tempos lindos, apesar do Salazarismo...., mas onde reinava no Gabinete de Imprensa do Dr. Franco Nogueira, um certo clima....eramos tão jovens,tão cheios de garra,cada qual ao seu estilo, á sua maneira..., e ao acompanhar agora o percurso de vida daqueles que não se esfumaram no quotidiano, fica-me um sorriso na alma, e no rosto, eu, que continuo lutando por marcar a diferença, nos apoios sociais nesta tão triste sociedade portuguesa...que saudades da Ideal das Avenidas, e de tanto que aprendi e recebi desses tempos....(desculpe Sr. Embaixador) de estar a usar o seu espaço, para estas nostalgias dos 60 anos....

ava n'tesma disse...

é um bocadinho croniqueiro como o pior do eça ....

mas há quem goste

patricio branco disse...

boa expressão da nostalgia o comentario de mcr