terça-feira, 11 de julho de 2017

Caixa em pizza

Não, não é "pizza em caixa", distribuída pelos motards; é mesmo "Caixa em pizza". É que a Comissão parlamentar de Inquérito sobre a Caixa "deu em pizza".

(É pena nós não termos por cá esta expressão que os brasileiros conhecem "de gingeira". Trata-se de um episódio passado no Palmeiras, clube de futebol, onde um conflito interno acabou num jantar conjunto das partes conflituantes. A imprensa reportou então que "acabou em pizza". Desde então, sempre que se pressente que um inquérito não vai dar em nada, os brasileiros dizem "vai dar em pizza".)

Como já era de esperar, num terreno tão pantanoso para o PS e PSD, com o CDS a "meter a colherada", o inquérito deu "em águas de bacalhau": afinal nada se provou em matéria de favorecimentos políticos, por via de créditos concedidos.

Apetece-me assim repetir o que, sobre este assunto, vai para um ano, escrevi num jornal. Aqui fica.

"Eu e todos os portugueses – repito, contribuintes investidores – temos o direito a saber, preto no branco, quais a responsabilidades exatas do condomínio PS/PSD, com algum CDS à mistura, que dominou a Caixa nas últimas décadas. Desde logo porque, nessa gestão politizada, houve gente competente e outra que o foi menos – e não podem todos ser medidos pela mesma rasa. 

Os portugueses têm o direito de saber, com nomes e números, quem foram, nos anos que prejudicaram a instituição, os responsáveis pelos créditos concedidos sem as necessárias garantias, se houve motivação política nessas decisões, se aconteceram, e porquê, grandes perdões de dívida e quem são hoje os principais devedores incobráveis – alguns dos quais andam por aí de costas direitas, com ar de gente séria.

A Caixa é uma coisa demasiado importante para que os erros de quem por lá passou possam ser iludidos, numa espécie de voluntária amnésia para absolver os vícios políticos do sistema. E, se o governo e alguns partidos se mostrarem relutantes a fazê-lo, o presidente da República deveria lembrar-lhes essa responsabilidade. O país ficaria grato."

Mas, pelos vistos, "acabou em pizza".

7 comentários:

João Forjaz Vieira disse...

absolutamente de acordo. É uma vergonha que nem sequer os dados sejam facultados!
João Vieira

Luís Lavoura disse...

Mas, em todos os bancos houve muitos créditos mal concedidos, muitos erros cometidos, porém, jamais em qualquer deles esteve em causa os acionistas dos bancos, ou (muito menos!) os seus clientes, virem a saber a quem esses maus créditos tinham sido concedidos e/ou quem no banco tinha sido responsável pela sua concessão.
A concessão de crédito por um banco é, sempre, um processo sigiloso e confidencial. Anda por aí de costas direitas muita gente que tem dívidas a bancos (e não só!), porém, jamais esse facto vem ao conhecimento público.
A Caixa não pode ser um banco diferente dos restantes. Mal estaríamos no momento em que um indivíduo que tivesse um crédito malparado com um banco pudesse manter esse facto em segredo, mas outro indivíduo que tivesse um crédito malparado à Caixa se arriscasse a ver esse facto publicamente divulgado.

Anónimo disse...

é o progresso no seu melhor...

aqui é que as alemanhas e unioes europeias deviam pedir explicações sem do nem piedade...

Anónimo disse...

A Luís Lavoura: Tudo o que diz está certo não fora o caso de se suspeitar não de erro de gestão ou de pouca sorte no negócio, que justifica o segredo, mas de fraude, compadrio, interferências ilegítimas isto é: suspeita-se que será um caso de polícia!
João Vieira

Anónimo disse...



Será que os partidos que fazem parte da Assembleia da República também teem dívidas à banca.
Nunca percebi de que vivem as máquinas dos partidos: das quotizações dos seus associados, das doações dos mesmos etc etc, dos empréstimos que fazem etc etc. para a sua subsistência.
É que essas máquinas não devem ser ligeiras quanto à sua manutenção.

Enfim o mundo da finança em Portugal parece redondo mas....

Anónimo disse...

A Caixa?

E o BES, o BPP, o BPN, Swaps,...quem paga são sempre os mesmos.

Anónimo disse...

Cativações......

Mariana Mortágua e Jerónimo de Sousa sabem como isto funciona, mas continuam a conceder crédito ao patrão, ao mau pagador de promessas.

E sabemos que este leasing político implica uma taxa de confiança que não corresponde às receitas económicas e sociais tão amplamente apregoadas para matar de vez a austeridade......

Costa é felino e rato ao mesmo tempo.